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PISA 2025: a leitura no pior nível já registrado (e o que dá para fazer em casa)

Menino de camiseta listrada lendo um livro em uma mesa de madeira: o PISA 2025 mostra a leitura no pior nível já registrado
Foto: Michał Parzuchowski

No dia 8 de setembro saíram os resultados do PISA 2025 e as manchetes disseram mais ou menos a mesma coisa: a leitura entre adolescentes está no pior nível já registrado. Se você tem um filho de quatro, seis ou oito anos, provavelmente leu essas notícias com um nó no estômago. Então vamos começar pelo esclarecimento mais importante: o PISA 2025 avalia leitura em jovens de 15 anos. Nenhuma criança de quatro faz o PISA.

Dito isso, os dados importam, e existe uma ponte honesta entre essa notícia e a sua casa. Aqui você vai encontrar o que os números dizem de fato — e o que eles não dizem —, por que é um erro transformar a coincidência entre telas e leitura em causa comprovada, e seis coisas concretas que dá para fazer com uma criança de 3 a 8 anos. Sem culpa e sem alarmismo: a ideia não é terminar assustado, e sim com algo que depende de você.

O que o PISA 2025 diz sobre a leitura

O PISA é a avaliação que a OCDE aplica a cada três anos. Mede leitura, matemática e ciências, sempre no mesmo grupo: estudantes de 15 anos. Nesta edição participaram mais de 760.000 estudantes de 15 anos em 91 países e economias. Os números centrais, sem enfeite:

  • A média da OCDE em leitura ficou em 461 pontos.
  • A leitura caiu cerca de 14 pontos entre 2022 e 2025.
  • Entre 2015 e 2025 a queda foi de 28 pontos na média da OCDE: o equivalente a "aproximadamente um ano e meio de aprendizagem". Nos países fora da OCDE, a queda foi de 16 pontos.
  • É o nível mais baixo já registrado pelo PISA nos três domínios centrais.
  • As meninas superam os meninos em leitura por 30 pontos em média.
  • O melhor desempenho foi o de Singapura, com 535 pontos, seguido por B-S-J-Z (China), com 527.

O que é o "nível 2" e por que ele aparece tanto

O nível 2 é o limiar que a OCDE considera o mínimo necessário para participar plenamente da sociedade: ler um texto comum, entender a ideia principal e tirar uma conclusão simples. Cerca de 31% dos alunos da OCDE não chegam ao nível 2 em leitura — ou seja, 69% chegam.

Outro dado que costuma aparecer recortado: um em cada cinco alunos de 15 anos da OCDE é de baixo desempenho em ciências, matemática e leitura ao mesmo tempo — em 2022 eram 16%. Não é "um em cada cinco não sabe ler".

O dado do Brasil

O Brasil ficou com 408 pontos em leitura, apenas 2 pontos abaixo de 2022: estabilidade enquanto boa parte do mundo caía. Só que estabilidade em um patamar baixo continua sendo um problema — 51% dos estudantes brasileiros não alcançam o nível mínimo em leitura, contra 31% da média da OCDE. Os números são do balanço do Todos Pela Educação publicado em 8 de setembro de 2026.

Por que isso está acontecendo: o que se sabe e o que não

É aqui que a maior parte da cobertura se apressa. Vale ir devagar, porque a diferença entre "coincidiu" e "causou" muda o que se espera que a gente faça.

A queda começou antes da pandemia

A leitura vem caindo desde o pico por volta de 2012, quase uma década antes de a palavra "lockdown" existir no vocabulário de alguém. A pandemia se somou a uma curva que já descia; não a inaugurou.

Telas e leitura: uma coincidência observada, não uma causa comprovada

O relatório aponta que a maior digitalização, mais tempo de tela e a queda da leitura por prazer coincidiram com resultados piores em alfabetização. Essa palavra é a chave, e vale dizer com todas as letras: o relatório descreve uma coincidência observada, não demonstra uma causa. Acontecer ao mesmo tempo não é o mesmo que provocar.

Pode ser que as telas ocupem o lugar da leitura. Pode ser que as crianças que já liam pouco passem mais tempo no celular. Pode ser que algo mais empurre as duas coisas. O PISA não resolve essa pergunta, e a manchete que diz "as telas acabaram com a leitura" não está citando o relatório: está interpretando. O que sabemos é que o momento da leitura hoje disputa espaço com muito mais coisas do que há quinze anos — e essa parte dá para proteger em casa.

Os "leitores apressados"

Talvez o achado mais interessante: a proporção de alunos que respondem rápido e errado quase dobrou em sete anos, de quase 7% em 2018 para 11% em 2025. Não é bem um problema de saber ler; é um problema de permanecer. De sustentar a atenção em um texto que não dá recompensa imediata. Essa capacidade se treina muito antes dos 15 anos, ouvindo histórias longas sentado ao lado de alguém.

Mais um dado de contexto: mais de um em cada quatro alunos diz que os colegas se distraem com dispositivos digitais na maioria das aulas de ciências ou em todas.

O que isso tem a ver com meu filho de 3 a 8 anos?

Vale repetir, porque é o que mais se distorce: o PISA avalia jovens de 15 anos. Uma criança de quatro não está "a caminho" de nenhum resultado do PISA. Essa linha reta não existe, e quem a desenha para você está vendendo alguma coisa. O que é verdade é mais modesto e mais útil: a compreensão leitora medida aos 15 se apoia em três coisas construídas muito antes — vocabulário, atenção sustentada e gosto pela leitura.

PIRLS: a outra avaliação, a do 4.º ano

O PIRLS mede compreensão leitora no 4.º ano, com crianças de cerca de 9 e 10 anos. E também vem caindo: dos 32 países com dados comparáveis em 2016 e 2021, 21 baixaram sua média, 8 ficaram praticamente iguais e só 3 subiram. O relatório atribui isso a "algum impacto negativo generalizado da pandemia sobre a leitura no 4.º ano". Essa é a ponte honesta: não é que o PISA fale do seu filho, é que a tendência também aparece em crianças bem mais novas que 15 anos.

Menina sentada lendo um livro
Foto: Josh Applegate no Unsplash

Por que essa idade é a de maior margem

A American Academy of Pediatrics afirma que a leitura compartilhada "ajuda a construir a base de um desenvolvimento socioemocional, cognitivo, de linguagem e de alfabetização saudável", e recomenda incentivá-la desde o nascimento e pelo menos até o fim da educação infantil.

O Center on the Developing Child, de Harvard, acrescenta a outra peça: as interações de ida e volta entre adulto e criança — o que eles chamam de serve and return — moldam a arquitetura do cérebro e estão associadas ao desenvolvimento da linguagem, à regulação emocional e à tolerância à frustração. Uma história lida em voz alta é exatamente isso: a criança pergunta, aponta, interrompe, e você devolve.

Por isso dos 3 aos 8 anos não é hora de se preocupar: é a fase com mais margem. No guia sobre histórias para dormir sobre emoções contamos como aproveitar esses mesmos minutos.

Seis coisas concretas para fazer em casa

Nenhuma dessas seis ideias é um programa. São hábitos pequenos, que cabem em uma noite comum.

1. Ler todos os dias, nem que sejam dez minutos

Dez minutos por noite constroem algo que uma hora no domingo não constrói: a expectativa. Ajuda muito fixar esse momento sempre no mesmo lugar da sequência; no guia sobre rotina do sono infantil (3 a 8 anos) explicamos como encaixar a história em uma ordem que a criança consiga antecipar.

Para dizer: "Depois dos dentes, história. Sempre."

2. Deixe que ele escolha o livro — e repita o mesmo mil vezes

Escolher é metade do gosto pela leitura. E se ele pedir o mesmo livro catorze noites seguidas, você não está perdendo tempo: a repetição é como as crianças pequenas consolidam vocabulário e estrutura da história, além de dar a previsibilidade que acalma antes de dormir. Mantenha o livro e mude só a pergunta do final.

Para dizer: "Qual a gente leva hoje? Você escolhe."

3. Converse sobre a história, não tome lição

"Como se chamava o cachorro?" é prova. "Por que você acha que ele fez isso?" é conversa — e é exatamente o músculo que o PISA mede aos 15: inferir, conectar, explicar por quê. Uma pergunta aberta por noite basta. Depois, silêncio: conte até cinco antes de resgatar.

Para dizer: "O que você teria feito no lugar dele?"

4. Leia em voz alta acima do que ele lê sozinho

Esse ponto se perde justo quando a criança começa a ler por conta própria, aos seis ou sete. O nível de escuta dela vai bem à frente do nível de decodificação: quando você lê algo mais difícil do que ela daria conta sozinha, ela ouve palavras e estruturas que ainda não consegue ler. É aí que o vocabulário cresce.

Para dizer: "Esse aqui eu leio, que tem palavras esquisitas e eu gosto delas."

5. Separe a tela da hora da história

O relatório não prova que as telas causem a queda, mas duas coisas não ocupam o mesmo pedaço da noite. Se a história começa onde a tela termina, a história perde sempre. Deixe um colchão entre uma e outra — guardar os brinquedos, escovar os dentes, baixar as luzes. O celular do adulto também conta.

Para dizer: "Desliga o tablet; quando a gente estiver de pijama vem a história."

6. Que ele veja você lendo

Criança copia o que vê, não o que ouve como instrução. Se em casa nunca há um adulto lendo, ler é uma coisa de escola. Se ela vê você com um livro ou o jornal — dez minutos, sem cerimônia —, ler é uma coisa que as pessoas fazem.

Para dizer: "Vou ficar dez minutinhos aqui com o meu livro do lado do seu."

Uma ideia para fechar

Se você guardar uma frase só, que seja esta: a constância vale mais do que a duração. O obstáculo, na prática, quase nunca é a vontade: é a pergunta das 20h40 sobre o que ler hoje. Serve qualquer coisa que resolva esse atrito, de uma pilha de livros da biblioteca a histórias personalizadas para crianças prontas em um minuto.

Os resultados do PISA descrevem uma tendência de quinze anos em 91 países. Você não vai mudar isso da sua sala, e ninguém está pedindo que mude. O que está inteiramente nas suas mãos é garantir que hoje à noite existam dez minutos de alguém lendo para uma criança. Isso basta, e é muito.

Perguntas frequentes

O que é exatamente o PISA e quem ele avalia?

O PISA é a avaliação internacional que a OCDE aplica a cada três anos com estudantes de 15 anos. Na edição 2025 participaram mais de 760.000 estudantes de 15 anos em 91 países e economias, e foram medidas leitura, matemática e ciências. Ele não avalia crianças da educação infantil nem do início do fundamental: para essa faixa existem outros estudos, como o PIRLS, que mede compreensão leitora no 4.º ano.

As telas são as culpadas por as crianças lerem menos?

Não é isso que o relatório diz. A OCDE aponta que a maior digitalização, mais tempo de tela e a queda da leitura por prazer coincidiram com resultados piores em alfabetização. Coincidir não é causar: são fenômenos que acontecem ao mesmo tempo, e o relatório não demonstra que um provoque o outro. A diferença importa porque muda a conclusão prática: não se trata de eliminar as telas, e sim de proteger um momento de leitura que hoje disputa espaço com muitas outras coisas.

Com que idade vale a pena começar a ler para uma criança?

A American Academy of Pediatrics recomenda incentivar a leitura compartilhada desde o nascimento e pelo menos até o fim da educação infantil, e afirma que ela ajuda a construir a base do desenvolvimento socioemocional, cognitivo, da linguagem e da alfabetização. Antes de um ano o bebê não acompanha o enredo, mas escuta a sua voz, olha as imagens e participa da troca de ida e volta, que é justamente a parte que importa.

Quanto tempo de leitura por dia é suficiente?

Não existe número mágico, e desconfie de quem oferecer um. Para crianças de 3 a 8 anos, um momento curto e diário funciona melhor do que uma sessão longa de vez em quando: dez minutos toda noite somam mais do que uma hora no domingo. O que você está construindo não é uma quantidade de minutos, é um hábito que a criança passa a esperar.

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